06 junho 2011

Pela França...

Pela França...


Passei 15 intensos dias na França...

Em Paris, tive aulas de dança com Simona Jovic, detalhista e exigente, me fez sentir forte e segura por saber que do outro lado do mundo alguém pensa a dança cigana como eu... Ufa! Saí de viagem após ter freqüentado algumas festa temáticas ciganas, após ter assistido a muitas apresentações dos atuais grupos de dança e fui embora me sentindo na “contra mão”, pensando que devo estar errada, afinal sou a minoria a acreditar em uma dança cigana que não vejo ninguém praticar. Mas lá em Paris, de origem Sérvia, a Simona me fez confirmar que estou no caminho certo, sigo sendo a minoria, mas continuarei assim, trabalhando minha dança conscientemente e tentando o quanto eu puder dividir este conhecimento.

Então, parti para o meu tão esperado destino: Saintes Maries de La Mer. Chegar lá não foi fácil, peguei avião, trem e deveria tomar um ônibus que naquela hora da noite já não havia mais. Mas por muita sorte encontrei um taxi na porta na estação. Ao entrar na cidade com o corpo cansado da viagem, ansiedade e o medo de quase ficar pelas ruas de Arles com as malas nas mãos, me fizeram ir direto ao hotel dormir, mesmo porque nada havia na cidade naquela hora.

Logo pela manhã, saí pelas ruas de Saintes Maries, escutei de longe a música cigana tocada pelo grupo Raspoutine, da Romênia... Enquanto eu os filmava o meu corpo tremia de emoção.


Entrei na gruta de Santa Sara, uma sensação inexplicável! Ver tão de pertinho aquela imagem que há tantos anos está na minha vida. Um filme passou na minha cabeça, desde meus primeiros passos na dança e toda a minha ligação com a cultura cigana durante tantos anos até os dias de hoje e o que ainda está por vir. Ofereci um lenço a ela, foi um momento único vê-la vestida com este lenço vermelho com dourado, eu não conseguia sair de lá, queria ficar olhando para ela o tempo todo... Saí, mas todos os dias da minha estada em Saintes Maries fui visitá-la na gruta.


Todos os dias, a qualquer hora, em qualquer rua pode-se escutar músicas ciganas, artistas de qualidade são encontrados a cada esquina, a cada mesa de restaurante. Pelas ruas de Saintes Maries tive o privilégio de ver os Urs Karpatz, os Raspoutine e até a tão esperada Negrita... Nada programado, tudo vai acontecendo natural e espontaneamente, é questão de sorte passar em determinado lugar no momento certo.

No dia de Santa Sara, assisti a missa e acompanhei a procissão desde sua saída da igreja, passando pela cidade. A sua frente os brancos cavalos de Camargue, músicos, devotos, turistas, fotógrafos, muita imprensa, todos seguem até a praia onde é levada ao mar e depois trazida de volta a igreja. Eu não sabia de onde acompanhar a procissão, todos os lugares seriam interessantes, após a imagem passar ao meu lado na igreja, corri para rua para ver sua saída, depois corri para uma rua mais a frente onde pude ver toda procissão passar do começo ao fim, e depois corri a praia esperando-a chegar, assim que ela saiu pisei no mar e “lavei minha alma”.


Tive ainda a oportunidade de assistir ao vivo a um show do Thierry Robin, que estaria em um concerto gratuito em uma praça de Montpellier, pertinho de Saintes Maries. Que delícia poder presenciar este grande artista que durante tantos anos tenho dançado suas músicas e posso dizer que são das minhas preferidas.

Depois de tudo que havia vivenciado eu já estava satisfeita com a minha viagem e poderia voltar para casa, mas eu ainda tinha 3 dias que ficaria em Arles (cidade do Gypsy Kings). Verifiquei no site do Chico (Chico and the Gypsies) que em sua fazenda, chamada Patio de Camargue, haveria um jantar com show de música e dança. Ninguém se interessou em ir comigo, mas eu estava ali do lado não poderia deixar de ir. Fui sozinha e não me arrependo. O lugar é maravilhoso! O show do New Gypsies tem um dos filhos do Chico como integrante. E todos os organizadores do evento, sabendo desde o início que eu era estrangeira e não falava francês me deram a maior atenção, fui muito bem recebida. E ainda, por estar sozinha, fui convidada para sentar a mesa deles, com a moça que me recepcionou eu falava em inglês e com o rapaz em espanhol. Qual não foi minha surpresa ao saber que este rapaz era Tonino, um dos filhos do Chico. Sabendo quem eu era, o que eu estava fazendo ali e qual era o meu interesse, anteciparam o show de dança por minha causa, já que eu tinha um taxista agendado para antes do término do show. Um show de uma dançarina linda, Karina, que fechou com “chave de ouro” a minha viagem, me enchendo de inspirações para voltar a Brasil.



Saphyra (Cristiane Wilson)
http://www.saphyra.com.br/
cristiane@saphyra.com.br

16 fevereiro 2011

Dança do Ventre: seguindo a moda!

Dança do Ventre: seguindo a moda!

Foto: Saphyra (Cris Wilson)

 
Até hoje me lembro do show que me fez encantar pela dança do ventre, foi em meados dos anos 90, bailarinas glamorosas com roupas belíssimas, com muito brilho, muito pano, muita franja, muito peso, véus em organza cristal enfeitados com “pastilhas” douradas por toda volta. Um show de feminilidade, beleza e alegria, havia uma “energia” inexplicável que se espalhava no ar.

Em aproximadamente 15 anos muitas coisas mudaram! Bailarinas vestem-se com roupas que cada vez tem menos tecidos e franjas, e o “clean” toma conta do modismo, a dança segue um padrão, assim como os cortes de cabelos e acessórios para ela, movimentos caem em desuso e a cada dia uma nova dança do ventre vai surgindo. O que não é ruim, mas somente se isto condiz com a sua verdade.

O que eu conheci como dança do ventre quase não aparece em muitas performances atuais. Onde está a execução dos movimentos que fazem parte de sua essência? Por que reproduzir movimentos que não te pertencem somente porque estão “na moda”? Se determinados movimentos não te pertencem, não pertencem à sua dança, ao seu modo de dançar, acabam tornando-se apenas uma cópia vazia e sem sentido.

De que adianta reproduzir tal movimento se ele não te toca, não está em você? E qual é a sua dança, a sua marca, o seu diferencial em meio a todos estes movimentos reproduzidos em série por tantas bailarinas?

Entristece-me hoje ver bailarinas tecnicamente perfeitas, mas vazias de amor, de emoção, de verdade! Raramente vejo as individualidades, são todas iguais.

O que é démodé (fora de moda) para a dança? Será que estou fora dos padrões atuais porque ainda curto dançar com um véu de organza cristal em alguns momentos? Será que estou fora porque uso a roupa que me faz sentir bem, que cai bem para o meu corpo e favorece minha dança? Será que estou fora de moda porque nem sempre quero dançar os hits do momento? Resgatar músicas antigas e mal gravadas nas minhas fitas K7 é muito arcaico?

Como profissional eu posso me adaptar às necessidades de um show para atender a uma ocasião especial, mas em que momento eu vou me sentir realmente artista se não dançar o que fala mais alto dentro de mim?

Posso estar sendo nostálgica, posso estar parecendo “careta”. Eu não quero que a arte fique estagnada, acredito mesmo que tenha que evoluir, apoio o estudo constante e aperfeiçoamento com outras profissionais, mas creio que é preciso cuidado com as transformações, é necessário valorizar as raízes e respeitá-las. Conhecê-las e experimentá-las para então da sua maneira transformar, dar a sua “cara” para aquele mesmo movimento executado há muitos anos. E o que fazer com aquele movimento? Acredito que você mesma deveria descobrir.

Porém, há quem não queira arriscar e prefira seguir uma moda ou padrão, há quem busque a atualização priorizando a técnica, há quem busque workshops internacionais somente para acrescentar ao seu currículo, mas por outro lado também há quem busque um encontro consigo através da dança, que busque um autoconhecimento, que busque a sua verdadeira essência ao se movimentar, que busque o conhecimento externo em workshops com profissionais que realmente toque sua alma. E há ainda aquelas que sabiamente conseguem unir técnica, emoção e individualidade e muito mais, nos encantando, nos emocionando com sua dança que de fato brota de dentro para fora.

Ainda bem que temos opção de escolha, cada um pode buscar o que fala mais alto dentro de si. Estamos falando de dança, estamos falando de arte... E cada um tem o direito de escolher o seu caminho. Viva a diversidade!

Saphyra (Cris Wilson)

www.saphyra.com.br
cristiane@saphyra.com.br

10 agosto 2010

Bharatanatyam - Dança Clássica Indiana

Bharatanatyam - Dança Clássica Indiana




 

Existem muitos estilos de dança na Índia, todos derivados de um mesmo código rigoroso, o Natyashastra.
Bharatanatyam é um dos estilos de dança clássica da Índia. Originário de Tamil Nadul, sul da Índia é o mais antigo e tradicional dos estilos. A dança consiste numa perfeita execução dos movimentos, ritmos e expressões listados no Natya Shasrta.
É uma dança altamente estilizada e sofisticada, “é a tentativa de personificar a beleza divina, o encanto, os ritmos e os símbolos que existem no céu” (Louis Frédéric em La Danse Sacrée da l’Inde). Não é somente uma filosofia artística, mas a mais profunda ressonância na alma. É um meio de elevação espiritual para o dançarino e para a audiência. A pureza desta forma de dança foi mantida através de séculos nas profundezas dos templos, pelas devadasis (dançarinas sagradas) que se dedicavam à arte a partir de idade muito precoce. A atmosfera secreta dos templos e desenvolvimento desta arte tornou um rito de representação dos movimentos dedicados a Deus.
Podemos dizer que bharatanatyam é a arte de se expressar no ritmo, considerando que bha vem de bhava (sentimento / expressão), ra vem de raga (música / melodia), ta vem tala (tempo / ritmo) e natyam (arte).
As palavras são substituídas por gestos, expressões e ritmos, chamadas em sânscrito de Abhinayas, Bhavas e talas.
O ritmo próprio para esta dança é peculiar do sul da Índia, as sílabas (notas musicais) são usadas para que os bailarinos mantenham ritmo.
Existem dois aspectos que compõem a dança: nritta (dança abstrata / técnica pura) e nrittya (abinaya / composições expessivas). Nritta deve ser entendido como uma série de movimentos humanos, não carrega nenhum significado, mas de acordo com o Natya Shastra cria beleza e naturalmente é amada por quase todas as pessoas. Nrittya é expressão de fora que vem de dentro.
Esta forma de dança é baseada nos mudras (gestos das mãos) e adavus (combinações de movimentos onde mãos, pés, cabeça, olhos e outras partes do corpo se movem de maneira coordenada). Os movimentos, geralmente em linhas retas e geométricas, unem-se às expressões faciais que combinados com o ritmo traduzem os sentimentos (rasa) que emergem do corpo de quem dança.
Das danças que fazem parte do repertório clássico, o “Alaripu” é a primeira dança a ser apresentada num espetáculo de Bharatanatyam. É uma dança devocional dedicada aos deuses, aos gurus e ao público. É uma dança invocatória. Apresentada apenas ao ritmo da percussão. É um exemplo da técnica pura e da dança abstrata (nritta).



Veja o vídeo dança "Alaripu" apresentada por Saphyra no youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=nWHcboVz9cs


Texto escrito por Saphyra (Cristiane Wilson)
http://www.saphyra.com.br/
cristiane@saphyra.com.br



21 junho 2010

Dança é disciplina

Sempre que um novo espetáculo, um novo evento de alunas ou apresentação de maior porte se aproxima me deparo com a palavra disciplina. E a pergunta que faço é: Como você quer dançar?
Todo mundo pode dançar simplesmente por dançar, soltar o seu corpo, liberar-se , deixar-se mover como bem se quer, como se tem vontade, sem critério, sem nada a ser concretizado. Ou seja, dançar espontaneamente.

Nomalmente a pessoa que faz aula de dança busca algum resultado. E este resultado só será alcançado se houver disciplina.

A dança exige disciplina, que começa na sala de aula quando você elege um professor ou uma professora para te ensinar determinado estilo de dança. É preciso ter disciplina com horários, iniciar a aula de dança depois desta já ter começado não é produtivo nem para quem atrasa nem para o grupo que já está com um andamento, o grupo já buscou uma harmonia e já estão, quase sempre, na mesma sintonia.

O aprendizado da dança vem da dedicação a este estudo, da atenção dada à aula e a entrega total para este momento. O fato de se deixar um celular ligado e distrair-se com barulhos externos ou pessoas que passem pela sala de aula te distancia do momento presente e até que sua atenção volte chega-se quase no final da aula.

Envolver-se num trabalho conjunto exige muito mais disciplina e quanto maior o número de pessoas envolvidas mais disciplina cada integrante deve ter para se obter um resultado de boa qualidade.

É preciso ter disciplina para ensaiar, ensaiar, ensaiar... Repetir quantas vezes necessárias até que todo o grupo sinta-se seguro.

Dedicar-se aos ensaios não é somente para que você fique seguro com o seu papel, mas a sua presença dá segurança aos seus companheiros que contam uns com os outros. Há quem se garanta em seu papel e acha que não precisa comparecer aos ensaios, mas o trabalho conjunto exige sua presença. Além de que o coreógrafo, diretor, professor ou coordenador do espetáculo precisa da presença do grupo para concretizar e finalizar as cenas.

Ter disciplina na dança é sempre respeitar o seu mestre, seu professor. No ocidente este costume não é muito presente, dificilmente entende-se o que é este respeito, esta hierarquia. Neste sentido temos muito a aprender com os orientais...

Um espetáculo de dança ou de teatro conta com um diretor ou alguém que coordene o todo, muitas vezes este tem a fama de carrasco, de ruim, de bravo, mas no fim é a ele que todos os artistas agradecem. Este diretor dá as orientações e todo ator ou bailarino respeita, mas o momento da cena, a hora H, está na mão do artista e se ele quiser, ele faz tudo contra as orientações do seu diretor, o que será uma tremenda falta de respeito com o diretor e principalmente com todo o grupo.

Coordenar um espetáculo não é fácil, lidar com pessoas de personalidades distintas é sempre um grande aprendizado. Priorizar o que é justo para com o grupo é um grande desafio. Será possível conseguir que todo um grupo contribua uns com os outros e com o todo ou sempre haverá egoístas que só se preocupam com sua performance e nada mais?

Mais um evento se aproxima, estamos entrando na fase de ensaios, compromissos para com o que cada um se prpôs a fazer. Dedicação e disciplina são fundamentais para que a gente consiga alcançar nossos objetivos e dentro das nossas limitações apresentar o melhor de cada um de nós a quem irá nos assistir, isto é respeito ao próximo. Seguiremos respeitando o nosso público, nosso grupo e  todas as pessoas que estão na coordenação de mais um evento.

Sucesso!
Cris Saphyra

20 março 2010

Da Índia para o Brasil

Voltei para o Brasil! Depois de 35 dias na Índia estudando dança diariamente, inclusive aos sábados e domingos, estou de volta!

Foram 20 dias em Nova Delhi tendo aulas de Bharatanatyam e mais 15 dias no Rajastão divididos em Pushkar e Jaipur aprendendo danças folcóricas e em contato com a comunidade cigana local.


Quanta coisa eu vivenciei na Índia! São incontáveis as experiências, inexplicáveis as sensações, inesquecíveis emoções.

De fato, foram muitos aprendizados, uma grande experiência de vida!

Sinto-me feliz, satisfeita e realizada. Trouxe uma grande bagagem (literalmente hehe).

Cada momento foi único, a cada dia muitas coisas, tudo aconteceu ao mesmo tempo, somente depois da minha chegada ao Brasil é que consegui absorver tanta informação, e ainda estou absorvendo.

A paisagem indiana é chocante de início, depois se acostuma e depois sente saudades!


Chegar num novo lugar, numa nova terra me amedrontou, a cada lugar que eu ia chegando tinha o mesmo sentimento, um medo do que eu ia encontrar lá, depois que me familiarizei tive que partir. Cada lugar que fui deixando, já foi me dando saudade, um vazio no peito, mas eu sempre tive que partir, eu tinha que cumprir meus objetivos, e justamente o que me moveu foi o meu foco, a cada partida respirei fundo e pensei: “tenho que ir”. Esta respiração firme e forte, que me encorajou, me deu confiança para seguir ao encontro do que fui buscar na Índia.

Estou feliz! Encontrei o que fui buscar, vivenciei mais do que planejei, mais do que visualizei. Tudo foi se encaixando e as dificuldades serviram para facilitar o que de melhor estaria por vir. Embora não tenha sido fácil, cheguei onde eu queria, fui além do que me propus, e somente por muito amor à dança que eu consegui. Superei meus limites, me desafiei o tempo todo, não sei de onde partiu tanta coragem, confesso que fui completamente louca em alguns momentos, mas eu precisei disso para vivenciar algo que somente eu naquele momento poderia vivenciar e mais ninguém.

Deixar cada lugar foi sendo doloroso, mas também foi bom ir voltando. Cada lugar que fui chegando, foi um alívio de que o que ficou para traz foi bom, deu tudo certo e eu estava bem. Ir chegando, ir chegando, ir chegando... até que cheguei no Brasil, onde senti um alívio total e pensei: “Estou em casa”, acho que esta foi uma das melhores sensações.

Saphyra - Cris Wilson

29 outubro 2009

Rumba Gitana


Rumba cigana? Rumba flamenca? Rumba catalana? Rumba cubana?

Foto: Grupo Saphyra no espetáculo Flores

Que som é este que contagia e faz com que os corpos se movam dentro deste ritmo ligeiro?

Atualmente, no Brasil, muitos grupos de dança cigana bailam com freqüência rumbas de diversos compositores, as mulheres exploram os movimentos das saias e dançam cada uma a sua maneira sem saber ao certo que bailado é este que estão executando, sem saber ao certo de onde vem este ritmo que simplesmente foi-lhe apresentado como música cigana.

Este estilo de música popularizou-se mundialmete através dos sucessos do grupo Gipsy Kings, na década de 80. Porém, antes deste período, outros músicos já exploravam este estilo musical, que apresenta a fusão do flamenco espanhol e os ritmos cubanos.

Este gênero só implantou-se como estilo definido no final dos anos 40, embora tenha suas raízes a centenas de anos a traz com a fusão de antigas tradições ciganas, espanholas, árabes... surgiu do encontro espontâneo de diversos estilos musicais.

Peret, um dos pimeiros intérpretes da rumba flamenca, criou uma nova versão capaz de atrair um público amplo. Ele e outros criadores simplificaram as melodias tradicionais do flamenco, reduziram o tom dramático de sua interpretação, incorporaram ritmos e instrumentos da música latina, utilizando timbais, tumbadoras e bongô.

Este ritmo influenciou e foi incorporado ao flamenco. Diferente de outros ritmos flamencos, a rumba se abre para a contaminação de outras sonoridades contribuindo para sua ascendência e decadência. Concebida para animar festas e fazer com que as pessoas bailem, de um lado proporciona o prazer e de outro é censurado e menosprezado pela excessiva simplificação do flamenco tradicional e desprestigiado pela aceitação de sonoridades apelativas e comerciais. Mas a rumba cigana se impõe acima de todas as críticas e torna-se uma legítima expressão artística, com um estilo muito próprio.

Popular no sul da França, terra de Manitas de Plata, José Reyes & Los Reyes, Gipsy Kings e outros nomes que ganharam popularidade tocando as rumbas ciganas.

Sensual, alegre e contagiante é um gênero bastante rítmico e adequado para dança, permitindo muitos movimentos com a saia e improvisação constante dentro do tempo que se dá em 4 (quatro) batidas por compasso.

Foto: Saphyra e Marcia - Primavera Cigana
A rumba cigana é um convite à dança, ao movimento, à expressão individual. Sentir cada batida dentro do compasso e deixar com que o seu corpo baile junto com a música, é uma forma de dizer o quão autêntico é este ritmo e que o fato de mesclar sonoridades, sejam elas latinas, árabes ou africanas, é somente mais uma forma de dizer que a música e dança cigana é uma grande troca de informações, um grande encontro cultural sem deixar de ser autêntico e verdadeiro, simplesmente porque possui uma marca que não se apaga.
Texto escrito por Saphyra - Cristiane Wilson
http://www.saphyra.com.br/

28 julho 2009

Mensagem às alunas

Mensagem a todas minhas alunas



2009 - Saphyra Espaço de Dança completa 10 anos no ensino da arte de dançar.

Na sexta edição do Encontro Precioso nós comemoramos este aniversário.
Entre tantas danças apresentadas reservamos um momento para esta celebração.
Segue o vídeo da restrospectiva apresentado no evento e abaixo a mensagem que preparei a todas alunas (antigas e atuais)



Nós nos encontramos semanalmente durante meses ou durante anos...
Mais do que relação professor-aluno, formamos um elo de amizade, compartilhamos idéias, problemas, alegrias, conflitos, experiências... Muitos são os assuntos durante nossa aula de dança, mas a dança vem em primeiro lugar para nos ajudar a esquecer problemas, a resolver os conflitos e nos trazer a alegria e idéias para nosso dia a dia.
O aluno de dança se entrega, confia na pessoa que escolheu para ser seu professor, sua professora, sem esta entrega, a dança não flui. A aula de dança é um momento de absoluta confiança no professor e na turma, passamos a nos conhecer profundamente através da dança, através de cada movimento entendemos cada um que passa pela aula de dança.
E é com estas pessoas que nós professores aprendemos muito e devemos agradecer pela confiança em nós, pela entrega às nossas idéias, aos nossos desafios e às nossas propostas.
Somente conquistamos e firmamos um trabalho quando nossos alunos se abrem para nós e se deixam levar pelo que nós estamos propondo.
Agradeço a todas alunas que já passaram pela minha aula de dança, seja por anos, meses ou dias, todas possuem sua importância e contribuem para o meu aprendizado. Agradeço aquelas que seguiram e seguem comigo nesta jornada e tem acompanhado o crescimento do trabalho desenvolvido nesta escola, que este ano completa 10 anos de um trabalho realizado com muito carinho e com muito amor.
E isto só é possível porque existem alunas que acreditam e confiam neste trabalho.
A todas as pessoas que carregam em seu corpo, em sua dança, um pedacinho de mim, dos meus ensinamentos, fica o meu eterno agradecimento.


Beijo no coração de cada uma de vocês!

Cristiane Wilson (Saphyra)

18 janeiro 2009

Dança Indiana




DANÇA INDIANA




Na Índia, a dança sempre exerceu um papel importante na vida religiosa, é uma das formas mais elevadas da representação do poder divino na arte indiana e pode ser observada na imagem de Shiva Nataraja, em sua dança cósmica.

Assim como a música, a dança é uma revelação divina. Diz-se que foi criada por Brahma (o deus da criação) atendendo a solcitação de outros deuses que lhe pediram para encontrar um passatempo que pudesse ser visto e escutado. Então, Brahma elabourou o Natya Shastra (tratado do teatro, música e dança) que transmitiu ao sábdio Bharata que o escreveu no século II a. C.

O Natya Shastra retrara as regras e princípios que regem a arte dramática na Índia e é referência para toda atividade artística. Analisa os movimentos de toda parte da estrutura humana, da cabeça aos dedos dos pés, dando origem a muitos estilos de dança.

São 7 os estilos, considerados clássicos, hoje na Índia, cada estilo é influenciado pelo local de origem, diferenciando-se em música, figurino e técnica.

- Bharatanatyam - Tamil Nadu
- Kathak - Uttar Pradesh

- Kathakali - Kerala
- Mahini Attan - Kerala
- Kuchipudi - Andhra Pardesh
- Manipuri - Manipuri
- Odissi - Orissa


Além destes 7 estilos mais conhecidos, existe ainda uma infinidade de danças folclóricas, sabendo-se que a Índia possui uma grande diversidade de povos, culturas e línguas. Das danças folclóricas acho que vale citar a Kalbelia, dança executada por uma tribo nômade de encantadores de serpente, no Rajastão. E o Bhangra, dança popular de Punjab.

Tudo isto é fruto da diversidade cultural indiana que reflete em variados estilos e formas de dança, que vão do clássico e folclórico ao contemporâneo e até mesmo ao moderno bollywood (a dança dos filmes da indústria cinematográfica da Índia) apresentando uma grande riqueza cultural envolta de crenças, mitos e espiritualidade.


Texto e fotos: Saphyra

14 outubro 2008

Louvada seja a dança

LOUVADA SEJA A DANÇA
(foto: Saphyra e Juliana Manduca)
Louvada seja a dança
porque liberta o homem
do peso das coisas materiais,
e une os solitários
para formar sociedade.
Louvada seja a dança,
que tudo exige e
fortalece a saúde, uma mente serena
e uma alma encantada.
A dança significa transformar
o espaço, o tempo e o homem,
que sempre corre perigo
de se desfazer e de ser somente cérebro,
ou só vontade, ou só sentimento.
A dança, porém, exige
o ser humano inteiro,
ancorado no seu centro,
e que não conhece a vontade
de dominar gente e coisas,
e que não sente a obsessão
de estar perdido no seu ego.
A dança exige o homem livre e aberto
vibrando na harmonia de todas as forças.
Ó homem, ó mulher, aprende a dançar
senão os anjos do céu
não saberão o que fazer contigo.
Santo Agostinho - Augustinus 354 - 430

07 agosto 2008

Kalbelia - Dança Cigana do Rajastão


KALBELIA – DANÇA CIGANA DO RAJASTÃO

Foto: Saphyra

No Rajastão, região deserta da Índia encontramos várias formas de danças folclóricas.
A Kalbelia é a dança executada pelas mulheres da comunidade Kalbelia, tribo nômade de ciganos encantadores de serpente. Também conhecida como Sapera (serpente), seus movimentos se assemelham aos sinuosos movimentos das serpentes, demonstrando flexibilidade, graça e espontaneidade. Uma dança vigorosa e vibrante em que a dançarina explora os balanços de ombro, quadril e giros, além de movimentos acrobáticos.
Gulabi Sapera é a mulher responsável por divulgar esta dança ao público internacional.


Saphyra (Cristiane Wilson)
www.saphyra.com.br

23 março 2008

Individualidade

A cada dança uma nova dança,
Em cada corpo outra dança.
Cada movimento é único!

Cada história vivida, uma leitura,
Um sentimento...
Sensações que emergem do interior de cada um de nós,
Explodem no corpo através do movimento.


(Saphyra)


... Interessante...
Como é fascinente notar que mesmo dançando muitas vezes uma mesma música, nunca se repete a mesma dança.
Tudo bem que pode-se montar um coreografia e sempre repetir os mesmos movimentos, mas a cada vez a dança se torna outra. Cada dia estamos diferentes de outro e isto já é um grande e importante fator. Se nós mesmos a cada dia estamos diferentes e isto já diferencia a nossa dança da nossa prórpia dança anterior, o que fará outra pessoa.
É muito lindo ver como cada corpo faz a leitura de uma mesma música, cada um trazendo a sua essência, sua história, sua individualidade. Toda dança é maravilhosa quando de fato brota do interior de cada um, sendo verdadeira e apresentando quem é esta pessoa que dança.
Não acredito que somente na "dança livre" ou improvisando este desabrochar é possível, pois dançando sinceramente, mesmo que executando os passos marcados de uma coreografia posso deixar a minha marca pessoal, respeitando a forma que me é passada e respeitando os meus limites, minhas adaptações, meu "jeito" de me movimentar.
É isto que me faz crer que todo mundo possui uma dança muito prórpia, e confiar no que é seu é um grande desafio, mas sem dúvida descobrir suas possibilidades de movimento é uma grande experiência. Se dê essa oportunidade! Ouça o seu ritmo, libere suas emoções, expresse seus sentimentos, siga o fluxo do sangue que corre em suas veias, dance!

Cristiane Wilson (Saphyra)

21 dezembro 2007

"Encontros..."

(Foto: Luciana e Givanna)

Encerramos 2007 com o espetáculo "Encontros...".
Tivemos como inspiração a arte do encontro, percebemos o quão vasto é este tema e quanto pudemos trabalhar em cima dele.
O encontro de cada uma de nós consigo mesma... através da consciência de seu corpo, através da dança, transformando-se em movimentos e palavras que resumiram histórias, vivências e processos individuais: relaxamento, capacidade, superação, liberdade, beleza, divertimento, coragem, entrega, força, paixão, sintonia, equilíbrio, transformação, reencontro, emoção, alegria...
Para facilitar o encontro consigo contamos com a ajuda do outro, nos reconhecemos como NÓS a partir da imagem que temos do outro, identificando nossas semelhanças e diferenças, respeitando-as.
O respeito e o humanismo foram desenvolvidos criando uma "relação entre seres verdadeiramente humanos", tema explorado a partir do livro "Encontro – Uma abordagem humanista" de Clara Feldman, servindo como ponto de partida.
Com o mesmo respeito unimos culturas no mesmo tempo e espaço, no mesmo corpo em movimento, que dialogaram entre si transformando-se em interessantes números de dança.
Juntamos o antigo e o novo, o tradicional e contemporâneo, resultando num encontro atual e surpreendentes números que marcaram o espetáculo.
Sem esquecer, do nosso Brasil, país que facilita todo o tipo de encontro, recebendo de braços abertos a todos os povos que nos enriquecem com sua cultura sem que desvalorizemos o que é nosso... A cultura brasileira foi muito bem vinda neste espetáculo que de uma forma ou de outra toca nossos corações, seja pelo toque do berimbau, pelo atabaque unido às palmas contagiando o público, pelo resgate das nossas raízes cantando: "... eu venho lá do sertão, eu venho lá sertão e posso não lhe agradar..." na voz de Elba Ramalho, Zé Ramalho e Geraldo Azevedo, ou pela alegria e espontaneidade do frevo e ainda o pulsar de uma bateria fazendo todo mundo cair no samba!
De certa maneira este espetáculo será sempre lembrado, seja por cada uma de nós, que fizemos parte dele ou por nosso público, que de uma forma ou de outra foi contagiado...
Agradeço a participação de todas as alunas e professoras do espaço, e gostaria de deixar claro que tudo foi possível graças à dedicação de todas as participantes, que sinceramente se superaram e foram capazes de apresentar este maravilhoso resultado em tempo recorde de preparação. Parabéns, meninas!Após tanto trabalho durante o ano, fechamos 2007 com chave de ouro e assim espero abrir 2008, conto com vocês!!!!

Cris Saphyra

Veja as fotos deste espetáculo no link abaixo:
http://saphyradanca.multiply.com/photos/album/26

01 setembro 2007

Por que Saphyra?




Saphyra, de onde surgiu este nome ?

Eu estava no início das minhas aulas de dança do ventre com a professora Samira Samira e tínhamos uma apresentação do grupo, a Samira estava pedindo os nomes das bailarinas e perguntou qual nome eu usaria, fiquei sem saber o que responder, pois eu não tinha um nome artístico como as demais meninas. Então, ela me deu algumas opções para que eu escolhesse, levei os nomes anotados em um papel para pensar em casa. 

Gostaria de um nome que desse conta das duas danças que eu fazia na época, que era a dança do ventre e a dança cigana, os demais eram muito direcionados à dança árabe, lembro-me que somente dois me agradaram e somente "Saphyra" achei que combinava comigo. Modifiquei a grafia, achei interessante o "phy" incomum a língua portuguesa e um diferencial que poderia me identificar caso aparecessem mais uma Safira no mercado.

Para mim a escolha deste nome é pelo fato de ser o nome de uma pedra preciosa. A pedra precisa ser lapidada para aumentar seu brilho e assim é a dança, a qual estarei eternamente lapidando.Durante anos fiquei entre Saphyra, Cris, Cristiane, Cris Wilson, Cristiane Wilson, considerando Saphyra um nome artístico ou até um apelido, mas sempre assumi o meu nome de nascimento. Em certo momento procurei deixá-lo apenas como nome da escola, mas parece que quanto mais busquei me distanciar, mais o nome Saphyra foi tomando força e sendo associado a minha imagem.

Descobri que esta pedra preciosa é símbolo da verdade, fidelidade e sinceridade, qualidades que procuro carregar comigo e que tanto prezo. E ainda, que o nome Safira é derivado do grego Sappheiros e significa "pedra azul", que mera coincidência é minha cor predileta. Ou ainda, derivado do hebraico Saphhir, que significa "a coisa mais bela", que dançarina não deseja ser bela?!

E para não haver dúvidas de que devo carregar este nome (ou apelido) comigo, encantei-me por algumas de suas lendas, uma delas diz que os hindus acreditavam que era a união da humanidade com o céu. Outra diz que para os persas a terra seria apoiada numa enorme Safira e sua imagem refletia no azul dos lagos e davam a cor azul do céu.

De fato, Saphyra, de alguma forma está ligado à minha personalidade, seja pelo uso constante e repetido que, de acordo com a numerologia, conforme assumimos um nome este carrega algumas características que irão atuar em nossa personalidade e em nossa vida, cada vez que este nome é chamado suas tendências são reafirmadas. Porém, as características do meu nome original nunca desaparecerão, pois já está cristalizado pelo uso constante há muito tempo e até hoje repetido. Saphyra veio não para substituir Cristiane Wilson, mas para completar, interagir e se somar, confirmando a minha crença de que Saphyra não é um personagem, de que não tenho como distinguir a minha vida pessoal da profissional e vive-versa, pois sou um ser único e principalmente que quem dança sou eu mesma, pois danço exatamente o que eu sou e sou exatamente o que minha dança fala.

Saphyra - Cristiane Wilson

09 maio 2007

Dança Cigana X Dança do Ventre


Dança Cigana X Dança do Ventre

Foto: Gisele de Andrade
Texto: Cristiane Wilson (Saphyra)


Já há algum tempo algumas pessoas referem-se ao meu trabalho com a dança cigana, dizendo que "misturo com dança do ventre", considerando esta uma atitude incorreta. Acredito que esta crença se dê por algo incompreendido ou por falta de conhecimento, por isso senti a necessidade de esclarecer, contextualizando melhor este trabalho.

Não podemos nos referir à dança cigana sem falar de influências, pois qualquer pessoa que conheça superficialmente esta cultura sabe que foram divididos em grupos e sub grupos, que espelharam-se por diversos países e que em cada país por onde passaram foram influenciados por sua música, dança, vestimenta, dialeto, etc. E, com isto, o que encontramos hoje é uma cultura riquíssima e que há sempre muito o que se aprender.

Em se tratando de influências... Podemos considerar a música e dança árabe um dos mais fortes elementos presentes nas danças e músicas ciganas. (Não o único!)

Mas é claro que cada uma delas (dança cigana e dança do ventre) possuem suas particularidades, possuem estéticas próprias que fazem com que sejam reconhecidas como tal. O importante é conhecer a fundo cada um desses estilos de dança para compreender como e onde ocorre a influência, afinal sabemos identificar se determinada bailarina está dançando uma dança cigana ou uma dança árabe, seja pelo seu traje, música, movimentos, etc.

Não entendo em que extamente estão se referindo a estas "misturas" na minha dança ou no meu estilo de dançar, pois o conhecimento de cada uma dessas artes me possibilita dançar tradicionalmete qualquer uma delas, diferenciando-as. Acredito que fique claro quando a dança é cigana ou árabe. Porém, fica um tanto difícil de segmentar uma dança cigana, como podemos arrancar dela a influência árabe que lhe traz tanta graça?

Sinceramente, não sei qual critério usado para este comentário. Será o fato de se dançar tanto a dança do ventre como a dança cigana? Será por que dou aula tanto de dança do ventre como de dança cigana? Creio que não, pois as aulas são distintas e para quem quer entender melhor onde encontram-se as diferenças e até mesmo as semelhanças, nossas portas estão abertas para oferecer este conhecimento.

A não ser que ao se falar de "misturas" podem estar se referindo a um trabalho específico que costumo realizar, o qual prefiro chamar de "encontros", "transições" entre tantos outros nomes, em que com uma visão mais contemporânea utilizo todo conhecimento trazido em meu corpo, fusionando culturas, ritmos, movimentos das diversas danças aprendidas. Desta forma é possível apresentar uma "dança cigana misturada com a dança do ventre", bem como outras fusões que possam ocorrer, por exemplo unir a dança cigana com flamenco e dança indiana. Mas para isso há ocasiões específicas, e quando ocorre procuro adequar ao local, evento, público e principalmente a música escolhida, já que atualmente são inúmeras as músicas que trazem diversas fusões. Porém, isto só é possível quando se conhece profundamente cada estilo de dança o qual se utiliza, para que não virem meros movimentos de diferentes estilos de dança colados um ao outro. Neste caso, transitar entre os estilos de dança que cada corpo traz é fazer com que brote a dança que realmente lhe pertence, compreendendo que possuimos um único corpo que não é segmentado, não nos dividimos a cada momento de acordo com a dança apresentada, não posso apresentar uma dança do ventre sem que algo de outras danças que estudo esteja presente, afinal este é meu histórico, ou então estarei sempre representando, sempre carregando um personagem e nunca sendo eu mesma em minha dança.

E tudo isto só é possível porque dança é arte! E, na qualidade de artista, tenho a liberdade de criar e desenvolver minha própria dança, sempre com fundamento, sabendo exatamente o quê e por quê estou fazendo, sempre pronta a esclarecer e estar aberta a gostos e desgostos, como tudo o que se diferencia do comum, mas satisfeita em ser eu mesma!



30 janeiro 2007

Dança Divina


Dança Divina

"Dança, presença plena e atemporal que une o ser humano com o divino. Dança, uma oração em movimento".
Assim foi introduzido este meu solo, preparado com muito carinho para nosso show de encerramento de 2006, onde apresentamos o espetáculo "Mandalas... Os Círculos Mágicos".
Dancei ali em homenagem às minhas alunas, para meus convidados e para eu mesma. Existia algo muito forte, uma energia gostosa, que vinha da troca entre cada uma de nós com nosso público. Encerrar o espetáculo com esta dança foi um momento único que vivemos, dentro de toda a atmosfera ali criada.
Em algum momento me senti como uma deusa ou como um elo que conectava a todos com o divino e senti que nesta dança existia um grande poder de transformação. Será muita pretensão?
Olhares atentos, talvez hipnotizados com algo que não sei dizer o quê, vejo algumas lágrimas, sinto um imenso prazer e me emociono em proporcionar diversas sensações.
Movimentos sinceros partiram do fundo do meu coração, gestos verdadeiros vieram a tona, não foi possível identificar que dança era aquela apresentada. Seria dança cigana, dança do ventre, flamenco ou dança indiana? Era tudo isso unido a uma história, a história de um ser humano que tem uma trajetória, que vivencia diversas situações no dia a dia e que possui um único corpo onde transforma tudo isto em arte.
Espero estar certa de que alguma transformação tenha ocorrido com cada um que se permitiu captar o que alí existiu de mais sagrado para nós.
Cristiane Wilson - Saphyra

11 novembro 2006

Mandalas... Os Círculos Mágicos

* Dança do Ventre * Dança Cigana * Flamenco
* Dança Indiana * Danças de roda tradicionais
Mandalas... Delimitação de um espaço sagrado
Instrumento de meditação, totalidade.
Dançando em círculos rrepresentamos mandalas,
Meditamos em movimento, vivenciamos o sagrado
E percebemos o todo do qual fazemos parte.
Em rodas, percorremos caminhos, viajamos por culturas
E transformamos o tradicional em novo, tranzendo-o para o aqui e agora.
Dança, eterna transformação.
Dia 10 de dezembro (domingo) às 19 h
Local: Espaço de Eventos do Hotel Mega Polo
Ingressos somente antecipados
Valor R$ 20,00 (incluso coquetel)
Inf. e venda de convites pelos tels.: (11) 3228-2404 / 3229-2420 / 9751-6440
Realização: Saphyra Espaço de Dança e Boutique Cigana

04 outubro 2006

Primavera Cigana


A Primavera Cigana que aconteceu no dia 30 de setembro em comemoração aos 30 anos da Boutique Cigana foi um grande sucesso!
Agradecemos a presença de todos e espero que este momento tão contagiante fique na memória de cada um dos nossos convidados. Tudo parecia mágico, é algo que não se dá para explicar, somente quem esteve presente pode entender o que eu estou tentando expressar.
Para contar melhor para vocês, colocarei abaixo as palavras do casal Sr. Horácio e D. Judith:

"Quem participou da Primavera Cigana e comemorou com vocês os 30 anos de fundação da Boutique Cigana saiu feliz, alegre e aplaudindo a sempre competente organização que vocês imprimem aos eventos que promovem.
Foi uma festa muito bonita, realmente; todos os pormenores foram cuidados, a programação artística esteve perfeita e o buffet impecável.
A Cristiane esteve maravilhosa, como sempre. Fez apresentações que emocionaram, seja pela qualidade do repertório escolhido, seja pela sensibilidade e técnica apurada, com que executa os diversos estilos de dança; um talento nato, uma estrela em ascensão; caracterizada como a ciganinha da logomarca de vocês, deixou a platéia hipnotizada; foi a mais bela dança cigana a que assistimos.
Nós, que ficamos como observadores, ouvindo opiniões aqui e ali, conversando com os convidados, percebemos que vocês não só conquistaram uma clientela; conquistaram, antes disso, corações , amizades, porque não só venderam roupas; o que fizeram foi abrir um espaço afetivo, alegre e simpático.
Marlene, desta vez você arrasou. Esperamos que seu sucesso continue, apesar de todos os sacrifícios, lágrimas e lutas; agora você não pode fugir mais, porque imprimiu sua figura como um ícone, que é sempre consultado, sempre acariciado...e criticado, também, porque faz parte da história dos líderes ser criticado.
Receba de nossa parte o mais caloroso abraço; saiba que, aqui, tem amigos torcendo por você, pelo seu trabalho e fãs incondicionais da Cris, a quem mandamos um beijo carinhoso.
Foi uma grande honra ter participado do evento e honra maior ainda sermos seus amigos. Torcemos muito por você, pela Cris, e por essa sua filha mimada que se chama Boutique Cigana."

28 setembro 2006

Danço!


Danço...
Deixo meu pensamento voar,
Expandir pelo ar, pelo espaço.
E o o meu corpo se envolve nesse movimento
De ida e volta
E, nesta troca, me alimenta a alma.

Cada momento dançado é único,
É o aqui e agora
Que não se repete, nunca é igual.
É neste movimento que eu vou,
Me embalando nesta transformação,
Neste jogo constante de comunicação.

Quero que minha dança diga algo,
Ela grita querendo ser ouvida.
Grita a minha voz,
Gritam as minhas crenças,
Grita o que eu sou
E este grito ecoa por todo o espaço.
Nem todos escutam,
Mas aos que este som consegue atingir,
Levam consigo além das imagens e formas,
Levam uma lembrança,
Um sentimento,
Ou um encantamento
Sem saber ao certo onde encontra-se o encanto.

Agradeço a Deus por este presente
A dádiva de dançar, dançar, dançar...

Cristiane Wilson - Saphyra